Política

Mais uma vitória de Ricardo Ferraço sobre Pazolini: TRE barra divulgação de nova pesquisa por irregularidades

Em duas semanas, Justiça Eleitoral já suspendeu divulgação de seis pesquisas feitas por institutos acusados de favorecer ex-prefeito Lorenzo pró-Pazolini e prejudicar o governador do Espírito Santo, que disputa a reeleição. Decisão do desembargador Robson Albanez aponta ausência de informação sobre

Elimar Cortes 02 de Outubro de 2026 4 min de leitura
Mais uma vitória de Ricardo Ferraço sobre Pazolini: TRE barra divulgação de nova pesquisa por irregularidades

 O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) determinou, na noite de quinta-feira (1º/10), a suspensão da divulgação da pesquisa eleitoral ES-04561/2026, registrada pelo Instituto Veritá para as disputas pelo Governo do Estado e pelo Senado. A decisão, proferida pelo juiz auxiliar desembargador Robson Luiz Albanez, é de caráter liminar e foi tomada antes mesmo da divulgação do levantamento, que estava autorizada a partir desta sexta-feira (02/10).

Veritá é um dos institutos que atuam com resultados considerados fora da realidade com o intuito de beneficiar a candidatura do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e prejudicar a do governador Ricardo Ferraço (MDB), que disputam o comando do Executivo Estadual. A Representação Eleitoral foi proposta pela Coligação Agora é o Futuro, liderada pelo governador Ricardo Ferraço.

A decisão do desembargador Robson Luiz Albanez determina que o Instituto Veritá não divulgue, publique, compartilhe ou autorize a divulgação dos resultados da pesquisa enquanto estiverem vigentes os efeitos da medida. Também estabelece que, caso algum conteúdo já tenha sido publicado, seja retirado dos canais administrados pelo instituto no prazo de 24 horas. O descumprimento está sujeito a multa de R$ 10 mil por ato.

O principal ponto analisado pelo TRE-ES é a informação sobre a origem dos recursos utilizados para custear o levantamento. No registro, o próprio Instituto Veritá aparece como contratante e pagante e informa que a pesquisa, no valor de R$ 93.940,00, seria realizada com recursos próprios. Para o magistrado, porém, a legislação exige não apenas a indicação de que os recursos são próprios, mas também a informação sobre sua origem.

A decisão também levou em consideração dados apresentados no processo sobre o conjunto de pesquisas registradas pelo instituto como autofinanciadas. Segundo os documentos analisados, até o dia 27 de setembro, o Veritá havia registrado 400 pesquisas nessa condição, no valor total declarado de R$ 49,6 milhões. O montante foi confrontado pelo TRE-ES com os dados financeiros do próprio instituto, incluindo receita bruta de R$ 3,98 milhões e lucro líquido de R$ 927 mil no exercício de 2025.

Outro elemento considerado foi o contraste entre os registros de pesquisas realizadas no mesmo período. A decisão aponta que, entre 26 e 27 de setembro, foram registradas 55 pesquisas declaradas como autofinanciadas, somando R$ 6,43 milhões, valor próximo de três vezes as disponibilidades financeiras de R$ 2,19 milhões declaradas pelo instituto em 30 de junho.

O magistrado também menciona que o próprio Tribunal já havia determinado, em outro processo envolvendo o instituto, a apresentação de comprovantes de pagamentos, livro-caixa, extratos bancários e outros documentos relacionados ao custeio de pesquisas. Em decisão de 29 de setembro, o TRE-ES registrou que o Veritá se encontrava em situação de descumprimento daquela ordem judicial e que a ausência dos documentos não havia dissipado as dúvidas existentes sobre o financiamento dos levantamentos.

Esse histórico foi considerado relevante para a análise da nova pesquisa. Na decisão desta quinta-feira, o TRE-ES afirma que a documentação contábil apresentada pelo instituto — como DRE, balanço patrimonial e balancete — não individualiza a saída dos recursos que teriam custeado a pesquisa ES-04561/2026.

A decisão também cita precedente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná envolvendo o próprio Instituto Veritá. Naquele caso, uma pesquisa havia sido suspensa e posteriormente proibida definitivamente de ser divulgada por falta de demonstração clara, verificável e documentalmente auditável da origem dos recursos utilizados em seu custeio. O TRE-ES registra ainda que a mesma linha de entendimento foi adotada em outras representações envolvendo o instituto.

Ao fundamentar a decisão, o desembargador Robson Albanez ressalta que a análise realizada neste momento é provisória e limitada à existência dos requisitos para a concessão da tutela de urgência. Segundo a própria decisão, a conclusão poderá ser reexaminada após a apresentação da defesa e a manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral.

Além da suspensão, o TRE-ES determinou que o Instituto Veritá apresente, em dois dias e sob sigilo, documentos como comprovantes de pagamentos dos serviços utilizados na pesquisa, livro-caixa ou razão contábil, extratos bancários, relatório previsto na regulamentação eleitoral e eventuais contratos, propostas ou ordens de serviço relacionados ao levantamento. Para essa obrigação, foi fixada multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 100 mil.

A decisão desta quinta-feira se soma a outras medidas adotadas recentemente pela Justiça Eleitoral capixaba envolvendo pesquisas do Instituto Veritá. Em setembro, o TRE-ES já havia suspendido a divulgação de dois levantamentos registrados sob os números ES-01361/2026 e ES-00353/2026, apontando, naquela ocasião, questionamentos relacionados à informação territorial da coleta. Posteriormente, o Tribunal determinou providências para verificar o cumprimento da suspensão e a apresentação de documentos relacionados ao custeio.

Em duas semanas, Justiça Eleitoral já suspendeu divulgação de seis pesquisas pró-Pazolini

 A suspensão da pesquisa Veritá programada para ser divulgada nesta sexta-feira (02/10) é a sexta que a  Justiça Eleitoral já suspendeu num intervalo inferior a duas semanas. Cinco são do Instituto Veritá e uma, do Instituto Perfil/ES Hoje. Os dois institutos são acusados de cometer irregularidades com o objetivo de beneficiar o candidato Lorenzo Pazolini.

(Fotos: Cid Costa)