Segurança Pública

PREPARADO PARA OS DESAFIOS DO FUTURO: Estado vai ter Subsecretaria para combater o crime organizado, facções criminosas e demais organizações, avisa Ricardo Ferraço

Setor, vinculado à Sesp, vai se chamar Subsecretaria de Estado de Combate ao Crime Organizado. “A expressiva redução da violência letal alterou a natureza dos desafios da segurança pública. Sem abrir mão do compromisso permanente de proteger vidas e reduzir os homicídios, a estratégia do Programa Es

Elimar Cortes 19 de Agosto de 2026 6 min de leitura
PREPARADO PARA OS DESAFIOS DO FUTURO: Estado vai ter Subsecretaria para combater o crime organizado, facções criminosas e demais organizações, avisa Ricardo Ferraço

“Na última década, reduzimos a violência. Na próxima década, vamos enfraquecer o poder das organizações criminosas”. Com essas palavras, o governador Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição, resume uma das prioridades apresentadas em seu programa de governo, denominado de Pacto pelo Futuro 2027/2030, no item reservado à segurança pública. E uma das ações a ser implementada a partir de janeiro de 2027, em caso de reeleição, será criação da Subsecretaria de Estado de Combate ao Crime Organizado, no âmbito da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).

De acordo com Ricardo Ferraço, o combate às organizações criminosas será a prioridade estratégica da próxima etapa do Programa Estado Presente em Defesa da Vida. O Governo vai instituir uma Política Estadual Permanente de Enfrentamento ao Crime Organizado, integrando inteligência, investigação, descapitalização financeira, recuperação de ativos e coordenação estratégica entre as instituições responsáveis pela segurança pública e pelo Sistema de Justiça.

No entendimento do governador do Espírito Santo, o enfrentamento às organizações criminosas exige coordenação permanente, inteligência integrada e atuação articulada entre os diferentes órgãos do Estado e as instituições federais:

“A crescente sofisticação das facções criminosas demanda uma estrutura de governança capaz de planejar, integrar e coordenar estratégias de longo prazo. Para enfrentar esse desafio, será criada a Subsecretaria de Estado de Enfrentamento às Organizações Criminosas, responsável por coordenar, em nível estratégico, as ações de inteligência, investigação policial e operações integradas, fortalecendo a atuação conjunta das instituições estaduais, federais, municipais e dos estados vizinhos na prevenção e repressão ao crime organizado”, antecipa Ricardo Ferraço, que, emaio deste ano, já havia criado a Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado (CIOE), da Polícia Militar.

O secretário de Estado da Economia e Planejamento e coordenador-executivo do Estado Presente, Álvaro Duboc, explicou nesta quarta-feira (19/08) que o trabalho da Subsecretaria de Estado de Combate ao Crime Organizado vai além das facções criminosas. “A Subsecretaria vai atuar no combate a todos os tipos de crimes cometidos por organizações criminosas e o crime organizado geral. Vai ser prioridade estratégica do Estado Presente para a próxima década, sem, no entanto, abandonar outra prioridade, que é a redução cada vez mais dos crimes letais [homicídios] e dos crimes contra o patrimônio”, disse Duboc.

Preparados para os desafios do futuro

O governador Ricardo Ferraço afirma no programa de governo que os resultados alcançados ao longo dos últimos anos permitem ao Espírito Santo iniciar uma nova etapa da política de segurança pública. Segundo ele, o desafio do próximo ciclo será preservar os avanços conquistados e preparar o Estado para enfrentar uma realidade criminal cada vez mais complexa e sofisticada.

“A expressiva redução da violência letal alterou a natureza dos desafios da segurança pública. Sem abrir mão do compromisso permanente de proteger vidas e reduzir os homicídios, a estratégia do Programa Estado Presente passará a concentrar esforços no enfrentamento estrutural das organizações criminosas e das economias ilícitas que sustentam sua atuação. Essas organizações ampliaram sua capacidade financeira, incorporaram novas tecnologias, expandiram sua atuação em redes nacionais e transnacionais e passaram a explorar mercados ilícitos cada vez mais sofisticados, exigindo novas capacidades de inteligência, investigação e integração institucional”, pontua o governador dos capixabas.

Segundo ele, os investimentos realizados nos últimos anos prepararam o Espírito Santo para essa nova etapa. De 2019 – quando se deu a retomada do Estado Presente, com a volta de Renato Casagrande ao comando do Executivo Estadual – até início de 2026, o Estado investiu R$ 1,7 bilhão nas forças policiais, incluindo as unidades prisionais e socioeducativas.

Para Ricardo Ferraço, a estruturação de laboratórios especializados em inteligência cibernética, combate à lavagem de dinheiro e recuperação de ativos, o fortalecimento da inteligência integrada e a ampliação da capacidade investigativa das forças de segurança criaram as bases para um enfrentamento mais qualificado ao crime organizado.

“Com importantes lideranças criminosas presas ou afastadas do território capixaba, o próximo passo será instituir uma Política Estadual Permanente de Enfrentamento às Organizações Criminosas, com foco na descapitalização financeira das facções, no combate à lavagem de dinheiro, na recuperação de ativos, na repressão aos crimes cibernéticos e na prevenção da infiltração dessas organizações na economia formal e nos territórios vulneráveis”, pontuou Ricardo.

A Subsecretaria de Estado de Combate ao Crime Organizado vai reunir as forças policiais capixabas (Polícia Militar, Civil, Penal e Científica); a Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), criada e coordenada pela Polícia Federal, e que é uma força-tarefa permanente que reúne diversas forças de segurança pública para agir de forma integrada contra o crime organizado e o tráfico de drogas; Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual; Receita Federal; Receita Estadual; e Núcleo de Justiça 4.0 de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (NJ4-ORCRIM), criado pelo Tribunal de Justiça a pedido do então governador capixaba, Renato Casagrande, e que conta também com  Vara Colegiada com competência privativa para processar e julgar crimes praticados por organizações criminosas e delitos de lavagem de dinheiro.

O secretário Álvaro Duboc destaca dois pontos importantes que já vem sendo combatidos pelas forças policiais capixabas: no Estado, não há domínio territorial por parte de facções criminosas, onde a polícia fica impossibilitada de entrar e atuar na repressão e prevenção; e, no Espírito Santo, o sistema prisional está sob controle do Governo do Estado e do Sistema de Justiça.

“No nosso sistema prisional, não há segregação de presos por conta de grupos criminosos. As principais lideranças de facções criminosas capixabas estão na cadeia ou foragidas em outros Estados. E mais: no ano passado, nossa polícia identificou um tipo de exploração em comunidades. Realizamos duas operações e os criminosos foram presos”, lembrou Álvaro Duboc.

O coordenador do Estado Presente se refere às Operações Conexão Perdida, realizada em 29 de janeiro de 2025, e a Marujada, em 25 de abril do mesmo ano. Na primeira, a Sesp e a Polícia Civil desarticularam a organização criminosa "Terceiro Comando Puro (TCP)", com atuação no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. A operação mobilizou mais de 300 policiais e resultou na prisão de 10 pessoas. No Rio de Janeiro, ações foram realizadas com o apoio das forças policiais fluminenses.

As investigações identificaram que os líderes da facção no Espírito Santo utilizavam a extorsão de empresários dos setores de internet, gás e água como principal fonte de renda. Para atuar em áreas dominadas pelo grupo, essas empresas eram obrigadas a pagar uma mensalidade. Os valores obtidos eram movimentados por meio de contas bancárias diversas, incluindo uma lotérica e um "banco paralelo" localizado no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

Depois, em abril, a Polícia Civil, por meio do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), concluiu as investigações da Operação Marujada, deflagrada para desarticular lideranças e integrantes do Primeiro Comando de Vitória (PCV). Com a investigação, houve o indiciamento de 21 pessoas, denunciadas pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).

A operação foi realizada no dia 25 de abril nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana, com o cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão. Um dos alvos da ação figurava entre os mais procurados pela Secretaria da Segurança Pública.