Segurança Pública

Ministro diz que Espírito Santo é exemplo para o País ao combater a comunicação entre as facções de dentro dos presídios

“O Espírito Santo apresenta um resultado muito importante: não encontramos celulares nas unidades prisionais do Estado. Isso mostra que o trabalho de prevenção, fiscalização e combate à entrada desses aparelhos está produzindo resultados concretos. Infelizmente, essa ainda não é a realidade de todos

Elimar Cortes 14 de Agosto de 2026 6 min de leitura
Ministro diz que Espírito Santo é exemplo para o País ao combater a comunicação entre as facções de dentro dos presídios

Ao participar, na manhã de quinta-feira (13/08), de uma ação de reforço à segurança e à modernização tecnológica do sistema prisional capixaba, conjugada com mais uma edição da Operação Mute no Estado, o ministro da Justiça e Segurança Pública,  Wellington César Lima e Silva, elogiou a política de controle e fiscalização rígidas do Governo do Espírito Santo dentro do sistema prisional capixaba. Para ele, o Estado, ao implementar um eficaz controle de fiscalização para impedir a entrada de aparelhos celulares e outros itens ilícitos, é exemplo para demais entes federados no combate à comunicação entre membros de facções criminosas que estão presos com os comparsas em liberdade.

A operação, da qual o ministro participou, contou com o uso de um drone de última geração e de um equipamento operacional que auxilia as equipes em inspeções e varreduras para localização de dispositivos eletrônicos ocultos. As novas ferramentas foram repassadas pelo Governo Federal à Secretaria de Estado da Justiça (Sejus). Detalhe: mais uma vez, nenhum celular e outros objetos ilícitos foram encontrados na fiscalização.

“O Espírito Santo apresenta um resultado muito importante: não encontramos celulares nas unidades prisionais do Estado. Isso mostra que o trabalho de prevenção, fiscalização e combate à entrada desses aparelhos está produzindo resultados concretos. Infelizmente, essa ainda não é a realidade de todos os Estados brasileiros”, destacou o ministro da Justiça e Segurança Pública.

“Estamos fortalecendo o sistema prisional com tecnologia, equipamentos e integração com os estados. Drones, scanners e ferramentas de identificação ampliam a capacidade de fiscalização e ajudam a combater a comunicação do crime organizado de dentro dos presídios. É um trabalho que precisa ser permanente e cada vez mais eficiente”, completou Wellington César Lima.

Na ação no Complexo Penitenciário de Viana, o ministro da Justiça estava também acompanhado da subprocuradora-geral de Justiça Institucional do Ministério Público do Estado do Espírito Santo e presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), Luciana Gomes Ferreira de Andrade, e do coordenador do Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (GETEP) do MPES, o procurador de Justiça Cezar Augusto Ramaldes.

A operação, coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) voltada à localização e retirada de celulares e outros materiais ilícitos, teve como foco unidades de segurança máxima do Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, em Viana. Nas Penitenciárias de Segurança Máxima 1 e 2 nenhum aparelho celular foi encontrado nas revistas realizadas. A ação contou com a participação de 105 policiais penais, com revista de 102 celas.

Coube ao ministro Wellington César e ao secretário  Nacional de Políticas Penais (Senappen), André Garcia, realizarem a entrega oficial e a demonstração de funcionamento de um drone de última geração destinado ao reforço da segurança nas unidades prisionais do Espírito Santo. A demonstração ocorreu durante agenda que também contou com o acompanhamento da Operação MUTE.

Avaliado em aproximadamente R$ 146 mil, o drone conta com câmera grande angular, zoom óptico híbrido de até 34 vezes e zoom máximo de até 400 vezes, câmera termal, telêmetro a laser e iluminador infravermelho. Esses recursos ampliam a capacidade de atuação em operações diurnas e noturnas e permitem o monitoramento de diferentes áreas dos estabelecimentos prisionais.

Segundo o Ministério da Justiça, a aeronave também possui autonomia de voo de quase uma hora, sistemas avançados de detecção de obstáculos, comunicação de longo alcance e recursos de inteligência artificial que auxiliam no reconhecimento de alvos e na automatização de missões.

Durante a programação, também foi realizada uma demonstração do kit de varredura destinado ao Espírito Santo. O equipamento, com valor aproximado de R$ 578 mil, tem previsão de entrega ao Estado até setembro. O kit será utilizado em inspeções e ações de contrainteligência, auxiliando as equipes na identificação e localização de dispositivos e materiais ocultos em ambientes prisionais. As duas tecnologias vão beneficiar as sete unidades prisionais que integram o complexo, ampliando a capacidade de vigilância, fiscalização e identificação de ilícitos.

Desde a primeira edição da Mute no Espírito Santo, nenhum celular ou equipamento eletrônico foi encontrado nas penitenciárias capixabas. Em âmbito nacional, entre 12 de maio e 3 de julho, foram realizadas sete edições da Operação Mute, com mobilização de aproximadamente 2,7 mil policiais penais, atuação em 24 unidades prisionais, revista de 1.297 celas e apreensão de 817 aparelhos celulares.

“A Operação Mute realizada hoje reforça uma realidade que já vem sendo construída no sistema prisional capixaba: não foi encontrado nenhum aparelho celular nas unidades revistadas. Isso demonstra o trabalho permanente das nossas equipes, com inspeções, revistas e monitoramento constante”, ressaltou o secretário de Estado da Justiça, Nelson Merçon.

“Temos equipes operacionais preparadas, protocolos de segurança e uma atuação cada vez mais integrada entre segurança, inteligência e tecnologia. O Espírito Santo também vem fazendo investimentos importantes na modernização do sistema prisional, tanto em tecnologia e inteligência quanto em infraestrutura e capacitação dos nossos servidores. E os equipamentos que estamos recebendo do Governo Federal, por meio da Senappen, vêm para somar a todo esse trabalho que já é realizado no Estado, ampliando ainda mais nossa capacidade operacional”, complementou Nelson Merçon.

Em âmbito nacional, sete edições da operação foram realizadas entre 12 de maio e 3 de julho, com mobilização de 2.700 policiais penais, atuação em 24 unidades prisionais, revista de 1.297 celas e apreensão de 817 aparelhos celulares.

138 presídios de segurança máxima

As ações integram a estratégia de modernização tecnológica de 138 unidades prisionais estratégicas, distribuídas em todas as regiões do país. A iniciativa prevê investimentos em equipamentos, viaturas e soluções tecnológicas voltadas ao fortalecimento da fiscalização, do controle de acesso e da capacidade operacional das polícias penais.

Dessas 138 unidades selecionadas nacionalmente, 38 estão localizadas na região Sudeste; 45 no Nordeste; 23 no Norte; 17 no Sul; e 15 no Centro-Oeste. A seleção considera análises técnicas e critérios de inteligência penal relacionados à relevância dos estabelecimentos para o fortalecimento da segurança penitenciária.

Desde maio de 2026, a estratégia reúne ações de inteligência e operações, modernização tecnológica e capacitação de profissionais do sistema prisional. No eixo de modernização, já foram destinados 35 equipamentos de raio X aos estados do Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Tocantins, Goiás e Mato Grosso, além dos drones destinados às unidades federativas.

No eixo de capacitação, 2.871 servidores de 17 unidades da federação estão cursando três capacitações a distância da Escola Nacional de Serviços Penais (ESPEN), com carga horária total de 80 horas. Também estão abertas inscrições para servidores de outras dez unidades federativas.

O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, destacou que a atuação no Espírito Santo integra a estratégia nacional que combina operações de segurança, inteligência penal, tecnologia e qualificação dos profissionais.

“Estamos fortalecendo a capacidade de atuação dos estados a partir de informações de inteligência penal e de investimentos direcionados às unidades consideradas estratégicas para o enfrentamento ao crime organizado. A Operação MUTE, aliada à modernização tecnológica, amplia as condições de trabalho dos policiais penais, fortalece o controle das unidades prisionais e contribui para impedir que o ambiente prisional seja utilizado para a articulação de atividades criminosas”, afirmou.